Estamos no Alto-Império Romano, ano 82 d.C., na civitas “ Oculis Calidarum “ (Caldas de Vizela), local onde o Imperador César Domiciano Augusto mandou edificar um complexo de banhos públicos em honra do Deus “Bormanicus “, cujo poder da cura se manifesta através das águas quentes que aqui brotam.

Pretender-se-á, igualmente, recriar o bulício das urbes romanas. Os atores darão corpo a figuras típicas como o escravo, o pedinte, o escriba, o malabaristas, os acrobatas e cuspidores de fogo.Todo o evento integrará peças de teatro, tiro com arco, jogos infantis de época, declamação de poemas e danças. Destacamos a realização das Olimpíadas de "Oculis Calidarum", momento em que poderão assistir a lutas greco romanas, ao lançamento de esferas e às corridas.

Através desta feira procurar-se-á recriar o ambiente em torno do quotidiano da civitas "Oculis Calidarum". Assim, poderão encontrar um mercado que se expande por toda a Praça da República e, quem sabe, adquirir vários produtos como metais, olaria, cestaria, vidro, cantaria, couro, marcenaria. Nesse mesmo local, poderá degustar várias iguarias na zona de restauração

Todos os dias, das 10h às 24h - Mercado, Área Pedagógica, Música, Lutas, Malabarismo, espetáculos itenerantes e muito... muito mais!

Programa - Principais destaques

« confirmados »
[17-24h] Sexta 08 (17h) Desfile Histórico Cultural das Escolas de Vizela
[12-24h] Sábado 09 (20h30) Grande desfile da chegada do imperador: Espectáculo comemorativo
[12-20h] Domingo 10 (20h) Espetáculo de encerramento do Mercado

Contactos e Inscrições



Sr.(a) artesão/vendedor(a), teremos todo o gosto em contar consigo nesta edição de "Vizela Romana". Por favor leia o regulamento e inscreva-se!


Declaro que li e concordo com o regulamento de participação na VII Vizela Romana





Caro participante, é com todo o gosto que desejamos contar consigo para encarnar um personagem da "Vizela Romana"! Inscrevam-se individualmente ou em grupo!


História

Introdução

As legiões romanas invadiram na Península Ibérica no século III a. C.. A conquista da Península Ibérica terá durado cerca de duzentos anos, supondo-se que em 25 a.C., durante o governo de Augusto, a conquista já estaria terminada.

A conquista deste território não terá sido fácil, tendo os povos autóctones oferecido grande resistência aos invasores. Os Galaicos e o Lusitanos destacaram-se na defesa do território peninsular. Sendo que os primeiros habitaram a zona a que pertencíamos, a Terraconense, que mais tarde será desmembrada da Terraconense, surgindo assim a Calécia no século III d.C., algures entre 284 e 288-9, durante o império de Diocleciano1.

A presença dos romanos nos territórios peninsulares levou a alterações profundas que ainda hoje são observáveis. Para unificarem o império foram construídas redes de estradas, fundados centros urbanos, difundidas novas técnicas agrícolas, costumes e hábitos, língua, leis, uso da moeda, construções, etc. A todo este processo deu-se o nome de romanização.

A cidade de Vizela foi uma das áreas habitadas pelos romanos, os quais provocaram transformações profundas na zona, as quais até hoje são visíveis.


Breve contextualização histórica

Existem poucos vestígios históricos que nos possam ajudar a perceber de forma clara como evoluiu o vale de Vizela. Sabe-se que os primeiros vestígios de presença humana remontam ao IV milénio a.C.. Foram vários os povos que colonizaram a Península Ibérica. Na área de Vizela, existem e foram encontrados vestígios da presença de civilizações castrejas, nomeadamente no Monte de nossa Senhora da Tocha, que nos dão algumas informações sobre a época pré-romana de Vizela. Foram encontradas, em Vizela, duas lápides alusivas ao Deus Bormânico, a primeira no final do século XVIII, na Praça da República, e a segunda, em 1841, junto ao Banho do Médico. Podemos concluir que, se este era um Deus pré-romano, Vizela já seria procurada pelas suas águas termais antes da presença romana. Supõe-se que, com a chegada dos romanos, a valorização e o crescimento da utilização das águas termais em Vizela tenham sofrido um grande impulso.

Segundo as investigações arqueológicas, levadas a cabo pelo Professor Dr. Francisco Queiroga, em Vizela, existiu um importante povoado que, por ventura, poderia ter sido um grande núcleo urbano.

São muitos os vestígios romanos existentes em Vizela, presume-se que por Oculis Calidarium, atualmente Vizela, passava uma via romana que ligava Braga a Amarante. Esta via atravessava o rio Vizela, como tal, teria de haver uma ponte. Pensa-se que essa ponte é a que denominamos de “Ponte Romana” ou “Ponte Velha”.

Em 1787, aquando da construção da “bica da água quente”, foi encontrado um banho soterrado com dezasseis nascentes de água e oito banhos, zonas interligadas e quatro nascentes com diferentes graus de temperatura. No século XX, foram ainda feitas escavações na Praça da República que comprovaram a existência de um balneário termal imponente. Tendo sido encontrados um praefurnium, o caldarium, mosaicos e uma complexa rede de condutas e esgotos. Estes novos achados permitiram concluir que aquela praça teria sido o centro da antiga Oculis, cidade romana referenciada por Jorge Alarcão em «Portugal Romano». Tendo em conta a importância que os romanos atribuíam aos banhos termais, pois para estes tratava-se, mais de que acto de higiene ou medicinal, de um ato social, e aos vestígios arqueológicos encontrados, podemos concluir que, em Vizela, existiu um importante complexo termal.

Fala-se que, no séc. XVIII, apareceu uma inscrição que dedicava as termas de Vizela a Tito Flávio Archelaus Claudianus, que era representante do Imperador e governador da Lusitânia. Este facto leva a concluir que o início da construção das termas se terá dado nas últimas décadas do séc. I d.C., durante o reinado do Imperador Domiciano.

Ao longo dos tempos, foram encontradas perto de Vizela lápides alusivas aos Deuses adorados pelos romanos, nomeadamente ao Deus Sol, à Deusa Lua, ao Deus Mercúrio e a Esculápio. Estas lápides permitiram perceber que o povo romano de Vizela adorava os mesmos Deuses do Império Romano, mas com predominância para os Deuses ligados à saúde à água, como Esculápio e Júpiter. O primeiro nome da cidade de Vizela teria sido Oculis, que quer dizer olhos de água. Num documento datado de 607, referente ao Concílio de Lugo, durante o reinado de Teodomiro rei dos Suevos, aparece a denominação de Oculis e “(…)segundo opinião do Padre Avelino de Jesus Costa, Professor de Paleografia e Epigrafia da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, Oculis corresponde a Oculis Calidarum (olhos de água quente), actual Caldas de Vizela. Também em 1014 e 1025, o rei de Leão, D. Afonso V, esteve em Oculis Calidarum, onde assinou doações, que terminavam com a expressão in ecesiae Sancti Michaelis in Oculis Calidarum, ou seja, na igreja de S. Miguel das caldas, em linguagem corrente.” 2


Imperador Domiciano

O imperador César Domiciano Augusto governou o Império Romano entre 81-96 d. C. Este foi o último imperador da sua dinastia, a dinastia dos Flávios. Foi um imperador autocrático com poder absoluto, tendo adotado o título de “ dominus et deus”, «senhor e Deus»3 , assim como mudou os nomes dos meses setembro e outubro para Germânico e Domiciano, seu título e o seu nome.

Considerado um bom administrador, que esteve atento às necessidades e ao bem-estar do império, Domiciano procurou combater a corrupção dentro do seu território, tendo limitado a acção de funcionários e governadores das províncias. Domiciano mandou executar os senadores que se opuseram à sua política. Ao longo do seu governo, a sua preocupação com a oposição e possíveis conspirações foi aumentado, ao ponto de colocar os suspeitos sob tortura “ inserindo-lhes fogo nas suas partes íntimas”4 .

Uma das suas grandes preocupações foi a moralidade pública, tendo punido senadores pela prática da homossexualidade, proibido a castração dos homens, punido virgens vestais pela prática de incesto e libertinagem sexual.

Domiciano casou com Domícia Longina, no ano 70, com quem teve um filho que viria a falecer ainda criança. O imperador ficou também conhecido pelo seu comportamento libidinoso.

No que diz respeito à cultura, Domiciano apoiou Marcial e Estácio como poetas da sua corte, apoiou “(…) os entretenimentos públicos, introduzindo elementos novos nos jogos, incluindo os combates entre mulheres e anões (…), impulsionou a divulgação de jogos ao estilo grego e de competições literária em Roma”5. Para conseguir financiar estes eventos teve de fazer confiscações e aumentar os impostos.

Tal como outros imperadores, Domiciano envolveu-se em várias campanhas para conquistar territórios e proteger fronteiras. A vitória contra os Cates, em 83, valeu-lhe o título de «Germânico».

Durante os primeiros anos da sua governação o imperador procurou agir com moderação e justiça. Contudo, a partir de 85, a sua ação vai começando a alterar-se. Os problemas financeiros, a sua desconfiança e insegurança levaram a atos de crueldade e execuções. Nos meses finais do ano 93, Domiciano ordenou execuções e o exílio de senadores, equestres e funcionários imperiais e senhoras de origem nobre. Este reinado de terror levou a que uma conspiração começasse a crescer nos meses de verão do ano 96, visto que este até perseguiu o seu séquito pessoal e os seus familiares próximos. Seriam dois elementos do seu séquito pessoal, encorajados pela imperatriz Domícia, que levaram a cabo a conspiração que culminou na morte do imperador. O exército foi o único a velar o corpo do imperador. Este foi mandado para a propriedade da sua ama Phyllis, a qual secretamente sepultou as cinzas de Domiciano no templo da família Flávio, tendo-as misturado com as da sua sobrinha Júlia. O senado ficou satisfeito com o assassinato do imperador Domiciano, mas ainda mais com o facto de um dos seus elementos mais antigos, Nerva, ter sido escolhido como sucessor. Assim terminou a dinastia dos Flávios e iniciou-se a dinastia Antonina.


A sociedade Romana na época do império

A sociedade romana era estratificada, ou seja dividia-se em grupos sociais que tinham diferentes direitos: Imperador; ordem senatorial; ordem equestre; os plebeus e os escravos. Eram considerados cidadãos os homens que pertenciam à ordem senatorial e equestre.

Imperador: durante a o período da República romana, era o título dado pelos soldados ao chefe vitorioso. Durante o Império, o título de Imperador denominava o soberano que concentrava em si todos os poderes e que, a partir do século I, era considerado uma divindade, surgindo assim o culto ao Imperador.

Ordem Senatorial: constituída pelos senadores, os quais possuíam uma riqueza superior a um milhão de sestércios e terras. Exerciam cargos na política e administração. Podiam ser senadores, juízes ou governadores das províncias.

Ordem equestre: composta por cavaleiros que conseguiam reunir fortuna superior a quatrocentos mil sestércios, estes ocupavam cargos na administração romana e dedicavam-se ao comércio e aos negócios.

Plebeus: formada por pequenos comerciantes, artesãos e trabalhadores livres, representavam a maioria da sociedade. Possuíam poucos direitos políticos e de participação na vida religiosa.

Escravos: não tinham quaisquer direitos. Podiam ser prisioneiros de guerra ou filhos de outros escravos. Executavam trabalhos pesados e eram vendidos como mercadoria a Patrícios e Plebeus. Podiam ascender a libertos, se os seus proprietários lhes dessem a liberdade, os abandonassem ou os próprios a comprassem.


As mulheres

Mulheres: possuíam o estilo de vida consoante a riqueza da sua família, não tinham direitos políticos. Aprendiam a ler e a escrever, música, arte, dança e a dirigir uma casa. Casavam muito novas e iam viver para a casa da família do marido, ficando dependentes destes.

Referências

1 - Oliveira Marques, António- Breve História de Portugal, 6ª edição. Lisboa: Editorial Presença,2006.ISBN 972-23-1887-x
2 - Vizela Romana- Enquadramento histórico [ site]. Vizela: AARM, 2013. [ Consult. 6 janeiro 2014]. Disponível na https://sites.google.com/site/vizelaromana2013/enquadramento-historico
3 - Scarre, Chris- Crónicas dos Imperadores Romanos, Os governantes de Roma Imperial reino após reino. Lisboa: Editorial Verbo, 2004. ISBN 972-22-2340-2131 402. P.77
4 - Scarre, Chris- Crónicas dos Imperadores Romanos, Os governantes de Roma Imperial reino após reino. Lisboa: Editorial Verbo, 2004. ISBN 972-22-2340-2131 402. P.80
5 - Scarre, Chris- Crónicas dos Imperadores Romanos, Os governantes de Roma Imperial reino após reino. Lisboa: Editorial Verbo, 2004. ISBN 972-22-2340-2131 402. P.80

Bibliografia

- Oliveira Marques, António- Breve História de Portugal, 6ª edição. Lisboa: Editorial Presença,2006.ISBN 972-23-1887-x -
Scarre, Chris- Crónicas dos Imperadores Romanos, Os governantes de Roma Imperial reino após reino. Lisboa: Editorial Verbo, 2004. ISBN 972-22-2340-2131 402. -
Grimal, Pierre- O império romano. Lisboa: Edições 70, LDA, 2011. ISBN 978-972-44-1616- -
Adkins, Lesley; Adkins, Adkins- A Civilização Romana. Lisboa: Editorial Estampa, LDA, 2000. ISBN 972-33-1579-3. -
Vizela Romana- Enquadramento histórico [ site]. Vizela: AARM, 2013. [ Consult. 6 janeiro 2014]. Disponível na https://sites.google.com/site/vizelaromana2013/enquadramento-historico